Destro

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Longe de todo o drama adolescente, o qual, devido a estarmos entre o que já não somos e o que ainda não nos tornamos, julgamos sempre o inverso da realidade, encontro-me em um sórdido poço de angústias que a esquerda e o politicamente correto me causaram. Eu, como praticamente todo adolescente pós década de 60, fui coberto com o manto de estereótipos e ações canhotas. Antirreligião, aborto, legalização da maconha, socialismo… entre outros fatores que eu defendia de mãos dadas ao vitimismo, alimentando, assim, minha autodestruição.

Como todo bom aluno de pensamentos projetados por um corpo midiático, era incapaz de perceber a doutrinação nas escolas em que “estudei”. Tinha acesso somente a Marx, Durkheim, Lenin, Rousseau, Voltaire e outros prováveis nomes que veio à sua cabeça, e as aulas de filosofia foram todo um Ensino Médio com “Mito da Caverna” e “Lógica”, óbvio, todas caminhando no campo da superficialidade. Jamais ouvi nomes como Mário Ferreira dos Santos, Otto Maria Carpeaux, Olavo de Carvalho, Ortega y Gasset, Eric Voegelin, Louis Lavelle, Ayn Rand, Russel Kirk e dentre outros grandes que, caso eu tenha visto apenas um pequeno texto biográfico a respeito em livros do MEC ou ouvido o nome em alguma discussão contra algo que eu defendia, criticaria com as forças mais profundas do meu ser sem ao menos ter lido sequer uma página de suas obras (clássico, não?).

Na escola, nunca me explicaram o que é Literatura. Apenas davam-me livros que eram voltados para a convivência humana centrados em torno de coisas miseráveis, separadas dos problemas fundamentais da existência. Muito tempo depois, fora do ambiente escolar, é que tive o prazer de conhecer a verdadeira Literatura. Nomes como Dostoiévski, Tolstói e Flaubert jamais passaram de uma pequena apresentação de onde nasceram e o nome de alguma obra nas aulas que tive.

Não fui capaz de perceber os lugares-comuns criados pelos programas “culturais” da televisão e utilizava isso como um modo de defesa para o que todo jovem deseja: uma vida promíscua regada a uso de drogas e que seja vista como algo legal pela maioria das pessoas. Davam-me heróis como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Lula(!). O politicamente correto era um escudo onde a mediocridade do meu ser desejava estar protegida frente à realidade do mundo que esmaga a covardia e a preocupação com a autoimagem.

A parte mais triste de tudo isso é observar o período caminhando em regresso, o que alguns que compartilhavam de mesmo pensamento julgam ao contrário. Caminhando com as mais notáveis contradições em busca de vis interesses e culpando o “sistema” por todos os meus atos que me degeneravam. E estes são apenas alguns dos relatos, talvez os que menos me envergonhem. Bom, mas ainda há muito tempo pela frente, bons livros e a graça do Altíssimo para recuperar o tempo perdido.

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